quinta-feira, novembro 22, 2007

Porque amo o mar...


"Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar.

Tinha uma porta, sete janelas e uma varanda de madeira pintada de verde. Em roda da casa havia um jardim de areia onde cresciam lírios brancos e uma planta que dava flores brancas, amarelas e roxas.

(...)

- Bom-dia, bom-dia, bom-dia - disseram a Menina, o polvo, o caranguejo e o peixe.

- Bom-dia - disse o rapaz. E ajoelhou-se na água, em frente da Menina do Mar.

- Trago-te aqui uma flor da terra - disse; chama-se uma rosa.

E linda, é linda - disse a Menina do Mar, dando palmas de alegria e correndo e saltando em roda da rosa.

- Respira o seu cheiro para veres como é perfumada.

A Menina pôs a sua cabeça dentro do cálice da rosa e respirou longamente.

Depois levantou a cabeça e disse suspirando:

- É um perfume maravilhoso. No mar não há nenhum perfume assim. Mas estou tonta e um bocadinho triste. As coisas da terra são esquisitas. São diferentes das coisas do mar. No mar há monstros e perigos, mas as coisas bonitas são alegres. Na terra há tristeza dentro das coisas bonitas.

- Isso é por causa da saudade - disse o rapaz.

- Mas o que é a saudade? - perguntou a Menina do Mar.

- A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora."


Do livro da minha infância "Menina do Mar", da inolvidável Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, agosto 29, 2007

1000 vezes SIM!!!

"Life is not measured by the number of breaths we take, but by the moments
that take our breath away."



Thank you for continuing to take my breath away...

terça-feira, agosto 28, 2007

Elogio ao Amor Puro

Num dia em que comemoro 7 anos de Felicidade e de Amor genuínos, tenho a alegria de poder dizer que o o Amor Puro ainda existe e que a capacidade de nos apaixonarmos todos os dias é possível.
Que tenhamos sempre a capacidade de nos surpreendermos um ao outro e manter esta paixão acesa!


Elogio ao Amor Puro

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro.

Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.

Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.

Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.

A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que
refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe.

Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder.

Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. "

Escrito por Miguel Esteves Cardoso

Ps: Texto descoberto no blogue recém-criado de um amigo, Teorias & Parábolas. Vale a pena espreitar!!

quinta-feira, maio 31, 2007

Querido Beiral



No Sábado passado tive a felicidade de rever bons momentos.
Tive um almoço de antigos alunos da escola/colégio da minha infância, o Beiral.
Este colégio que me formou enquanto pessoa dos 3 aos 10 anos.
Vi e revi colegas que não via desde essa altura, há uns bons 15 anos!
É engraçado ver que tipo de pessoas se tornaram, que rumo profissional seguiram e fundamentalmente é muito interessante ver que alguns traços de personalidade se mantêm inalterados anos após anos.
Para mim a experiência não foi tão forte como para outros, porque sendo a minha mãe Educadora naquela casa há mais de 30 anos, tenho tido a possibilidade de lá ir ao longo dos anos e por isso fui ajustando aqueles espaços às minhas dimensões enquanto crescia.
Mas foi lindo acompanhar aquelas pessoas que lá não iam há 15 anos e ver as coisas um pouco pelos olhos delas.
É fantástico como tudo o que parecia enorme e gigante agora parece tão pequenino.
É bom ver que os pequenos pormenores que fazem a qualidade pedagógica desta Casa ainda continuam: os bichinhos da seda e as tartarugas em cada quarto, a horta e vindima, os famosos pique-niques, o jardim da areia, o jardim das árvores, a sala de pintura, o Plátano e muitas muitas outras coisas.
Foi bom recordar tudo e a amiga Ceci descreve-o como ninguém no seu blog.
Para recordar ficam algumas fotos:


O Jardim do Buxo que era um autêntico labirinto para nós de tão grande que era



O Jardim da Areia com os seus inúmeros recantos, os ferrinhos para as cambalhotas e os gigantes pneus.

Foi uma boa experiência e a repetir em breve, espero eu.
Obrigada por partilharem comigo estes momentos e este sítio especial.

quinta-feira, maio 17, 2007

Um Conto de...

Para quem gosta de histórias (ou estórias como agora se diz) dos nosso dias, aqui vai uma sugestão.
Um grupo de bloggers juntou-se para criar um conto. Cada um escreve um capítulo e juntos estão a criar um "thriller" (a categoria fui eu que tomei a liberdade de atribuir) que junta "serial killers", personagens com PES (Percepção Extra-Sensorial), um pouco de romance e sobretudo muito mistério.
Para mim estão reunidos os ingredientes para uma história fantástica.
Aconselho vivamente a lerem desde o primeiro capítulo, é claro, para não perderem nenhum dos pormenores deliciosos e para os mais curiosos leiam os vários comments para perceberem melhor como tem sido a aventura de fazer esta história.
Qualquer um pode participar, se não a escrever, a dar dicas e sugestões para os próximos desenvolvimentos (tal como eu).
Espero que gostem! Fico a aguardar a vossa opinião.

quarta-feira, março 14, 2007

7 Coisas

Respondendo ao desafio do Gira à minha volta aqui vai disto:

7 coisas que faço muito bem:

  • Dormir (e ser mega rabugenta quando não o faço como deve de ser);
  • Pegar num problema do tamanho de uma ervilha e transformá-lo na maior catástrofe de todos os tempos;
  • Planear tudo ao pormenor (inclusive antecipar o que os outros vão dizer numa dada conversa);
  • Lembrar-me de tudo e mais umas botas (mesmo o que não interessa);
  • Guardar tudo, tudo cá dentro e não deitar nada para fora;
  • Ouvir os outros;


7 coisas que detesto:

  • Dormir pouco;
  • Assassinatos à Língua Portuguesa, principalmente no contexto profissional (é com cada calinada!!!);
  • Médicos;
  • Quebras de confiança;
  • Calculismos e Cinismos;
  • Pessoas invasivas;
  • Falta de pontualidade;


7 coisas que me atraem no sexo oposto:

  • Sensibilidade;
  • Cor dos olhos;
  • Sorriso;
  • Inteligência;
  • Cultura;
  • E outras coisas que tais (que não posso dizer aqui:P);


7 coisas que costumo dizer:

  • “‘Tou-me a passes da cabeçes” (esta ficou do amigo Marco);
  • Fónix;
  • Vais/Fui com os porcos;
  • Yey !!(a maior parte das vezes com um certo sarcasmo);
  • Já nos “safemos”;
  • “Montes da bué” (sim eu sei que é calinada no português mas é mesmo no gozo);
  • Tudo e mais umas botas;

What Pearl Jam Song am I?

Nunca mais estão à venda os bilhetes!!!!Tem que ser desta...8 de Junho em Algés, ESTOU LÁ!!!



take the which pearl jam song are you? quiz, a product of the pearljammers community.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Músicas destes dias...

Nestes últimos dias em que ando meia estranha... taciturna, pensativa, um pouco melancólica até, numa luta constante contra languidez que se vai apoderando de mim sem razão aparente, estas são as músicas que me têm acompanhado:


I'm Yours - Jason Mraz


I Only ask of God - Outlandish


Somewhere Over The Rainbow - Israel Kamakawiwo Ole version



Inté

Ps: espero que os próximos posts sejam mais animados mas a mim dá-me mais para escrever quando estou assim...paciência!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Há dias assim...

Ou antes, há semanas assim!
Os níveis de desmotivação atingem picos, não consigo ver um futuro nisto, a incerteza leva-me a questionar tudo, a começar pelo curso em si!
Já lá vão as utopias de outros tempos de achar que o curso fazia sentido na nossa sociedade, e da história de podermos conciliar o mundo dos negócios com o ambiente!
Tretas...o dinheiro e os objectivos, os lucros a curto prazo é que interessam, nada mais! Tudo o resto são despesas operacionais!
Infelizmente começo a entrar na mentalidade triste "do mundo dos adultos"e a pensar que se tivesse um filho a escolher uma profissão agora, provavelmente o aconselharia a escolher algo mediante o dinheiro que traz e as perspectivas de evolução na carreira.
Enfim...é difícil não pensar que uma pessoa vive para o trabalho e vive mediante o trabalho que tem. E apesar de continuar a achar que os valores familiares, o amor, as amizades são o que de mais valioso a vida tem e sem os quais não vale a pena viver, é triste constatar que a (in)estabilidade da situação profissional condicionam todos os sonhos!

Enfim, tal como dizia, há dias assim, num "blue mood", em que tudo parece meio cinzento e nublado! Felizmente não são muitos!
Amanhã é outro dia e espero que seja um dia melhor!

PS: O que vale é que mesmo no meio da desmotivação, as pausas no trabalho, com alguns belos coleguinhas e uns miminhos de comidinha vão dando para suportar melhor o dia!

terça-feira, janeiro 16, 2007

1 Ano depois

Então não é que aqui o "estaminé" fez 1 ano, no passado dia 8 e eu não dei por nada??
Que autora mais desnaturada!
Há mil e uma coisas para escrever, muitas notícias para actualizar mas falta-me a motivação para chegar a casa (depois de 8h ao computador no trabalho) e ligar o PC. As últimas coisas escritas têm sido à base de insónias!

Despeço-me com um até breve...espero eu!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz Natal Especial para pessoas especiais

E porque há pessoas - vocês sabem quem são - para as quais não faz sentido enviar só um e-mail engraçado ou um curto sms aqui fica um bonito poema sobre a Amizade!
Obrigada por existirem.
Beijinhos

"A amizade sincera é um santo remédio,
é um abrigo seguro!
É natural da amizade o abraço,
o aperto de mão, o sorriso.
Os verdadeiros amigos,
amigos de fé, os melhores amigos
não trazem dentro da boca
palavras fingidas ou falsas histórias.
Sabem entender o silêncio
e manter a presença, mesmo quando ausentes.
Por isso mesmo, apesar de tão raros,
não há nada melhor do que um GRANDE AMIGO."

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Feliz Natal a todos :)

As minhas canções de Natal favoritas :)
Uma mais clássica:



E outra mais recente:

terça-feira, dezembro 19, 2006

Coisas Boas da Vida

Roubando o título a um blog amigo :) e porque de vez em quando convém por as coisas em perspectiva e afastar as nuvens negras que teimam em obstruir o caminho e as emoções ... é bom apreciar as coisas boas da vida.
O destaque de hoje vai para uma descoberta deste ano (e sem querer começo aqui aqui o capítulo do balanço do ano):

Conduzir à noite,
sozinha,
no MEU carro,
pela nossa linda Marginal,
com o mar e o luar como horizonte,
sem destino imediato,
sem horas para chegar,
e só sentir,
e só ouvir os pensamentos fluir.

E hoje fico por aqui.

segunda-feira, novembro 06, 2006

RSS Feed

Para quem, tal como eu, gosta de ler blogs mas cansa-se de estar sempre a ver aqueles que raramente são actualizados (cof, cof...) aqui vos deixo a maravilhosa invenção do RSS Feed.
Para verem os diversos RSS feed dos vários blogs que gostam, vão ao Google Reader, por exemplo (para quem ainda é ave rara e não tem uma conta no Gmail, trate de arranjar uma) e vão adicionando várias subscrições.
Ficam já sabendo que para blogs do Blogspot, o Rss feed deve ser sempre este:


http://nomedoblog.blogspot.com/atom.xml

E voilá!
Basta-vos consultar o Google Reader uma vez por dia ( ou mais, ou menos) e podem ler todas as novas entradas dos vossos blogs favoritos.

Eu sei que não descobri a pólvora, mas a verdade é que há muita gente por aí, nos quais se incluem alguns leitores deste blog, que nunca ouviram falar disto.

Por isso, bom proveito!

Para mudar de ares II...

E pronto, dada a justificação do post passado, já me permito nova mudança cromática, deta vez para condizer com uma das minhas estações do ano favoritas, o Outono!

O que dizer do Outono?

Gosto da cor castanho-alaranjada das árvores,
Gosto das folhas a caír,
Gosto das marés-vivas, do mar revolto,
Gosto da cor do céu,
Gosto das primeiras chuvas e das primeiras brisas mais fortes, quando ainda não está muito frio,
Gosto das trovoadas (embora tenha pavor delas),
Gosto da perspectiva do ano a acabar,
Gosto do S.Martinho,
Gosto do Sol de Outono.

E por falar do Sol de Outono, aqui vai a música de Outono da minha infância, da autoria da Professora de música da minha infância (a Luiza do Beiral)


Sol de Outono, Outono, Outono,
sol doirado, doirado, doirado,
folhas que caem, caem, caem,
leva-as o vento, o vento, o vento.


Lá vão tantas, tantas, tantas,
p'ra tão longe, longe, longe
dizendo adeus, adeus, adeus,
ao sol do Verão, do Verão, do Verão.

Luiza da Gama Santos

O Verão passou-me ao lado...

À laia de justificação por não ter escrito nada durante o Verão passado e uma vez que já entramos no Outono, aqui vai este post:

Pela primeira vez na minha vida posso dizer que não tive férias de Verão decentes.
Dos míseros 6 dias úteis de férias que tirei, em 4 deles choveu a potes.
Ao menos posso dizer que no meu dia de anos tive sorte: uma óptima companhia, O fenomenal cozido à portuguesa da bisogra (palavra inventada por mim para designar a sogra da sogra), um bolo de laranja surpreendente feito pelo meu amor e para terminar um espectacular pôr-do-sol na doca, como sempre.
Mas moral da história, pouco havia para escrever sobre o Verão e daí esta minha justificação (que no fim de contas não é para mais ninguém senão para mim mesma).
Inté!

quarta-feira, agosto 09, 2006

Para mudar de ares...

Aqui vai uma pequena mudança cromática, para melhor condizer com a estação do ano.
Continuamos nos tons de azul, mas agora algo um bocadinho mais leve...pode ser que ajude a elevar a disposição.
Aguardo comentários à nova cara... (se é que ainda há alguém que se dá ao trabalho de ler isto).
Inte

segunda-feira, agosto 07, 2006

Ser ou não ser...(aka devaneios existenciais)

E depois há noites como as do outro dia em que começo a questionar cada traço recôndito da minha personalidade…
Que traços são verdadeiramente meus?
Que traços vinham já desenhados nos meus genes?
Que traços foram adquiridos das minhas vivências familiares?
Que traços são fruto de uma autocriação?
Quem é que eu era antes daqueles momentos decisivos, às vezes de alegria e felicidade e os outros de mágoa, desilusão e raiva, que me fizeram conscientemente mudar a minha maneira de ser?

Até que ponto eu passei a ser a pessoa que idealizei e sublimei aquele “verdadeiro eu”?
Será que tudo o que foi conseguido baseado no pressuposto desses meus traços auto-delineados é verdadeiro ou é uma farsa?
Ou é a isso que chamam o crescimento…
Até que ponto eu conheço quem sou? Como é que as pessoas que me rodeiam fazem a menor ideia com quem lidam e o que hão de esperar se nem eu sei o que esperar de mim?
Porque é que de repente me dá para estes devaneios esquizofrénicos de explorar a metafísica dos meandros desta personalidade?
É tão mais fácil permanecer na ignorância, escondermo-nos atrás da cor dos cabelos, usufruir da estabilidade da rotina diária sem nada questionar? Porque é que de todos os animais nos tinha que calhar a nós esta tal de racionalidade que nada mais faz além de causar angústia…
Porque é que desde que me conheço questiono tudo desde a metafísica da existência até à simples existência da matéria corpórea tal como a conhecemos?
Já não tenho idade para estas angústias existenciais…é na véspera das duas dúzias de anos que me dá para isto?

Cura-te e vai fazer algo de útil que isto só serve para nos empatar a vida e não nos deixar avançar…